
Gangorra ou Montanha Russa?
By Roberto Teixeira da Costa
March 20, 2008
O prestigioso jornal The New York Times publicou em sua edição de 19 de
março, provocativa matéria com o título “Se você não consegue entender a
crise de crédito, junte-se ao clube.”
Começa perguntando, com certa ironia que aqueles que não entendem a
totalidade da crise financeira, por favor, “levantem a mão”. Aqui, se
essa pergunta também fosse colocada, creio que o número de pessoas com
mãos levantadas constituir-se-iam na grande maioria. Alguns, que
pretensamente fingem entendê-la, na realidade também estão cheios de
dúvida. Afinal de contas, por que razão uma crise no setor imobiliário
norte americano, criada à partir da inadimplência de alguns compradores
que não puderam honrar compromissos hipotecários assumidos, pode
desencadear uma crise com a proporção que assumiu, com fortes
repercussões em todo sistema financeiro mundial? Como explicar que tal
inadimplência coloque em risco o sistema financeiro norte americano,
congelando a concessão de créditos, afetando fortemente o preço das ações
e de outros ativos, quase quebrando uma instituição financeira e
acelerando a expectativa de recessão da economia norte americana?
Creio que quando essa página for virada, caberá aos analistas de mercado
e principalmente aos historiadores econômicos um inventário da situação
vivida e dele tirar as devidas lições.
O certo é que nenhum de nós em sã consciência pode hoje afirmar quando
tudo irá terminar. Certamente, podemos antecipar que o aprendizado dessa
crise vai obrigar os agentes financeiros a políticas bem mais
conservadoras em suas operações de crédito, a auto regulação terá que ser
aprimorada e, gostemos ou não, as entidades reguladoras oficiais irão
baixar regras e políticas mais rígidas para instituições financeiras.
É bom lembrar que nenhuma crise é igual a outra. Se existem, pontos em
comum, também é certo que muitos aspectos as diferenciam. Sabemos como
começam, mas não como acabam!
A volta do fator credibilidade é essencial.Como bem sabemos,
reconquistá-la é penoso e leva tempo.
No que nos toca, também estamos pagando o preço da correção do valor dos
ativos que haviam sido inflados por um período de grande disponibilidade
de capitais que percorreram o mundo em busca de ativos. Estamos vendo
agora o reverso da medalha. E a safra de más notícias parece inesgotável.
Por sorte, não estamos sozinhos e resta-nos agir com cautela, muita
prudência, esperando que os ventos que vem do norte não sejam um tornado!
Como lembrava aquele analista arguto, as ações já estão bem baratas! O
problema é que poderão ficar ainda bem mais baratas. Ninguém sabe.
Não estamos vivendo uma gangorra. Está mais próximo de uma montanha
russa! Assim sendo, mantenham os cintos apertados!