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Falando de Educação

By Roberto Teixeira da Costa
June 13, 2008

A convite do projeto TODOS PELA EDUCAÇÃO, que particípio e apoio desde sua criação, assisti na última terça feira a interessante apresentação feita pela McKinsey, prestigiosa empresa de consultoria internacional sobre o desafio da educação.
A apresentação foi baseada em detalhado estudo de pesquisa por ela conduzido em diferentes partes do mundo.
As conclusões são extremamente provocativas. Vamos aqui fazer um breve sumário.

1.    Apesar do aumento significativo dos gastos nos países da OCDE (Bélgica, Reino Unido, Japão, Alemanha, Itália, França, Nova Zelândia, Austrália) os resultados estagnaram.
Portanto, não existe uma correlação direta entre os gastos com educação e os resultados alcançados. É preciso saber onde investir.

2.    Da mesma forma, nos EUA os resultados permanecem estagnados apesar do aumento dos gastos por aluno.
Os gastos por aluno tiveram sensível progressão, enquanto a relação aluno/professor foi decrescente, mas os resultados permaneceram praticamente estáveis.

3.    O impacto das diferenças socioeconômicas nas habilidades já é significativo aos quatro anos de idade.
Ficou claramente evidenciado que o número de palavras ouvidas pelas crianças de 4 anos irão fortemente impactar sua formação posterior.

4.    As reformas populares não melhoraram os resultados dos alunos: de 112 estudos que examinaram os efeitos do tamanho de classe sobre o aproveitamento dos alunos, observou-se nenhum efeito significativo da diminuição do tamanho das classes.
Esse aspecto realmente surpreendeu-me, pois é muito repetido que o aumento das classes tem um efeito perverso no aproveitamento. O que teve grande impacto, isso sim, foi que as “variações da qualidade dos professores” superam totalmente qualquer efeito da alteração do tamanho das classes.

5.    As reformas não melhoraram os resultados dos alunos.
A questão da autonomia não foi um fator determinantes nos resultados, quer nas escolas públicas ou privadas.

6.    As reformas não melhoraram os resultados dos alunos: gastos.
Interessante essa verificação, mesmo em países de uma mesma região (Escandinávia). Os gastos cumulativos por alunos de 6 a 15 foram bem superiores na Noruega. No entanto, a pontuação no Teste Pisa foi incrivelmente superior na  Finlândia.

E sobre as lições aprendidas, podemos destacar:

1.    A qualidade de um sistema educacional não pode ser maior que a qualidade dos seus professores.
2.    A única maneira de melhorar os resultados é melhorar a instrução. Sistemas escolares excelentes atraem pessoas excelentes para os cursos.
3.    Alto desempenho significa que todas as crianças devem ser bem-sucedidas. Os sistemas de alto desempenho pagam bons salários. A Coréia é  um grande caso de sucesso.
4.    Toda escola precisa de um grande dirigente. Os sistemas de alto desempenho recrutam e formam excelente diretor de escola. Cingapura é um bom exemplo

Será que no caso brasileiro teremos condições de alçar um salto  qualitativo na educação? A primeira resposta, a mais óbvia, é que existindo determinação os resultados virão. Certamente, levarão mais tempo que em outros países devido a uma série de fatores culturais e de heranças do passado.
A criação de algumas escolas diferenciadas por seu padrão de excelência pode ter um enorme impacto como efeito demonstração, estimulando outras escolas a seguirem seu exemplo.
No entanto, um fator parece estar presente: a conscientização existente por parte dos diferentes segmentos da sociedade que temos que juntar esforços para buscar resultados. Aí entra o papel do TODOS PELA EDUCAÇÃO.


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