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O discurso do Presidente Obama ao Congresso de Washington

By Roberto Teixeira da Costa
February 27, 2009

O discurso do Presidente Obama ao Congresso de Washington Roberto Teixeira da Costa É difícil resistir ao entusiasmo que predomina ao ouvirmos o Presidente Obama discursar. Mais uma vez, essa característica esteve presente, quando pela primeira vez dirigiu-se ao Congresso Americano após sua eleição.

Mesmo levando-se em conta que presidentes anteriores ao discursarem para os congressistas, particularmente durante a apresentação do “State of the Union”, quase sempre foram aplaudidos, não me lembro, no entanto, que fossem ovacionados como foi o Presidente Barack Obama em 23 de fevereiro.

Os relatórios de pesquisa que foram divulgados imediatamente após sua fala, confirmam que 80% dos entrevistados aprovaram o plano de combate a crise e 88% crêem que o plano colocará os Estados Unidos no rumo certo. Ainda mais, 92% tiveram uma reação positiva ao discurso, enquanto 85% ficaram mais otimistas em relação a condução do país nos próximos anos.

O discurso foi centrado basicamente em 3 temas: a necessidade de investimento em energia renovável; criação de um sistema de saúde acessível e particularmente na ampliação do sistema de educação, que aqui também estão sempre presentes. Deixou muito claro que se os Estados Unidos não melhorarem a qualidade de sua educação, não irão dispor de pessoal qualificado para enfrentar os desafios do mundo globalizado.

Enfim, sem motivação nada se consegue e creio que o presidente Obama tenha realmente dado uma injeção de ânimo. As críticas ao seu discurso foram direcionadas a pouca especificidade de alguns caminhos críticos e de um projeto talvez excessivamente ambicioso. Particularmente, os republicanos não deixaram dúvidas sobre suas preocupações quanto a crescente intervenção do estado no domínio econômico.

Hoje não são poucos aqueles que abertamente defendem a estatização dos bancos, fato que há um ano atrás seria totalmente inconcebível. Aliás, as primeiras idéias ventiladas pelo Presidente Obama, se tornaram públicas: cerca de 1 trilhão de dólares serão provenientes do aumento de impostos para os mais ricos, que poderão pagar até 39,6% dos seus ganhos e também com aumento da taxação sobre ganhos de capital, que seria ampliado de 15% para 20%. No entanto, se tivemos críticas ao discurso presidencial, maiores são aquelas direcionadas ao governador de Louisiana, Bobby Jindal, escolhido para ser o orador da visão republicana. Foi considerado amador e vago.

No dia seguinte, nosso chanceler Celso Amorim, esteve com a secretária de Estado Hillary Clinton, protestando contra um eventual protecionismo americano, o chamado “by american act” e também preparando o encontro do Presidente Obama com o Presidente Lula na segunda quinzena de março. Será que haverá uma boa química entre os dois Presidentes? Ela é importante? Eis a pergunta que fica no ar!

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